Consumismo x criatividade: o projeto minimalista pode ser uma solução

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Foto por Porapak Apichodilok em Pexels.com

Você já reparou que os quartinhos montessorianos são (em sua essência) geralmente bem simples?
A gente não vê muitos móveis, e os que aparecem tem um desenho bastante intuitivo, sem floreios, sem enfeites, sem formas robustas, sempre em tons de madeira ou brancos.

Não é coincidência. Montessori prezava por um Ambiente Preparado que tivesse suas funções facilmente assimiláveis pelas crianças, que ao olhar para uma estante com cestos ela identificasse os nichos e a maneira de tirar e colocar de volta os cestos no lugar, por exemplo. Tanto é que a caminha original montessori é basicamente o colchão no chão, todos os modelos estilo casinha ou cabana foram criados pelo mercado com o intuito de deixar o ambiente mais lúdico, mais fantasioso, colorido e enfeitado – não há nada de errado em usar a cama casinha no quarto do seu filho/a, mas fique já sabendo que o mais importante e a torna montessoriana é a altura do colchão e não a estrutura que vai recebê-lo.

Como dito, o mercado de móveis infantis se aproveitou da “moda” que Montessori tem ganhado e muitas novas lojas especializadas em mobiliário infantil surgiram nos últimos tempos, a maioria delas usando o termo “montessoriano” para descrever suas peças – muitas vezes sem ao menos saber do que se trata.
E então, com essa explosão do mercado, as famílias passaram a consumir esses produtos cada vez mais, e a gastar uma boa grana pra montar um quartinho no “estilo montessoriano”, quando na realidade, se procurassem pesquisar o que significa um Ambiente Preparado, entenderiam que um quarto montessoriano é infinitamente mais barato que um tradicional – e é aí que entra a questão do estímulo ao consumismo desde a infância.
Uma criança que cresce rodeada por diversos objetos, brinquedos e móveis, aprende que precisa de tudo aquilo pra viver – e os pais, por consequência, acabam sempre tendo que comprar mais e mais coisas para substituir aquelas que ficaram obsoletas.

Aqui cabe a reflexão:
Você realmente precisa de tudo que tem na sua casa? Você usa tudo o que tem ou algumas coisas estão lá só pra enfeitar ou preencher um espaço que você achou que tava vazio?
E seu filho? Ele precisa mesmo de tantos brinquedos? Ele realmente precisa ter uma cama casinha, uma cabana, um futon, uma poltrona, uma mesa com cadeira, um tapete de atividades, uma cadeira de balanço e uma rede – tudo no mesmo espaço e com praticamente a mesma finalidade, ou será que você está sendo influenciado pelo mercado que lança uma coisa fofa atrás da outra e você sente que precisa comprar e incrementar/modernizar o quarto dele?

Quando a nossa casa e o quarto da criança possuem somente o necessário, aprende-se a valorizar aquilo que se tem e a ressignificar e flexibilizar os objetos e utilizá-los com mais de uma finalidade dentro do espaço. As crianças (e nós adultos, se buscarmos lá dentro) tem uma enorme capacidade de imaginação e um potencial criativo gigantesco, que podem facilmente ser prejudicados pelo excesso de objetos, e pela falta de espaço – tanto físico quanto mental.
Vou explicar.
Conhece a expressão “ócio criativo”? Pois bem, quando estamos sem receber nenhum tipo de estímulo externo, conseguimos criar e imaginar soluções, ter ideias e inventar coisas com uma facilidade muito maior, pois nosso cérebro vê apenas uma tela em branco, não é influenciado visualmente por nada nem por nenhuma atividade que você esteja fazendo. O mesmo ocorre no brincar livre das crianças, em um quarto que oferece muito estímulo visual, e que os brinquedos e objetos já fazem o papel de trazer o lúdico para aquele espaço, elas pouco conseguem inventar e criar – se no quarto já tem uma cabaninha, então não dá pra usar cabos de vassoura e lençóis e construir uma, ela já tem uma que veio pronta da loja. Ou se o boneco já fala e se mexe sozinho, como ela pode inventar historias sobre ele? Afinal, ele já veio com uma vida própria de fábrica.
É claro que algumas crianças podem passar por cima de tudo isso e usar a criatividade pra brincar, mas se elas estivessem num espaço como uma tela em branco, poderiam, provavelmente, fugir do óbvio e surpreender.

Deu pra entender?

A solução para educar crianças não-consumistas é, além de dar o exemplo – claro, possibilitar que ela viva plena e feliz com pouca coisa. Mostrar na prática, que ela não precisa de muito pra brincar, que ela pode usar a própria imaginação e inventar novas maneiras de utilizar os objetos que ela já tem. Essa é a essência de um Ambiente Preparado – não é um ambiente pronto, que tem tudo já posto, indicado e separado para a criança, mas um ambiente que estimule a ordem (por ser organizado de forma intuitiva), o brincar livre, a imaginação, a autonomia e a criatividade para ressignificar objetos do dia a dia. Muitas das atividades propostas por Montessori, inclusive, incluem dar novos usos a objetos do dia a dia, como por exemplo ralar um sabão com ralador de cozinha e transformá-lo em espuma numa bacia usando um batedor de claras.

Montessori já dizia: para o desenvolvimento da criança, em casa, a casa basta! Contanto que ela tenha livre acesso e movimento dentro do espaço, adaptado a toda a família.


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Aqui prezamos pela Consciência Ambiental (somos anti-consumismo), por sempre propor Projetos Inclusivos (afinal, a criança é moradora ativa da própria casa) e pelo Estímulo ao Desenvolvimento Saudável (baseando nossas ideias em estudos como os de Montessori, que educam a criança como um todo – corpo, mente e espírito).

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