Como o ambiente pode influenciar no desenvolvimento?

three toddler eating on white table
Foto por Naomi Shi em Pexels.com

Você já ouviu falar em Ambiente Preparado? Não? Mas em quartinho montessoriano com certeza já, né! E se eu te disser que as duas coisas tem tudo a ver e que são parte de um mesmo método de aprendizagem (ou seria filosofia de vida)?

Maria Montessori foi a médica e pedagoga criadora do Método Montessori, e seus estudos sobre desenvolvimento infantil vão muito além de colocar a caminha do seu filho rente ao chão, como muitos por aí pregam.
Para ela, esse desenvolvimento acontece através de “planos” – em cada fase da vida, a criança possui necessidades e comportamentos específicos, resguardando-se a individualidade de cada uma. Com base em anos de observações e testes, ela traçou perfis gerais de comportamento e de possibilidades de aprendizagem para cada faixa etária, propondo a organização ambiental e o uso de materiais mais adequados para cada uma dessas fases. Seu Método fundamenta-se em seis pilares (vou deixar no final do post alguns links interessantes), dois deles tendo maior relação com o ambiente construído.

O principal deles é a Autoeducação, a ideia de que a criança é capaz de aprender sozinha – quando você confia na capacidade da criança e a coloca num ambiente adequado, ela pode desenvolver quase tudo de forma independente e livre. Para isso, Montessori também desenvolveu uma série de materiais específicos, feitos para serem manuseados pela criança, de modo que ela possa perceber seus próprios erros, construindo a capacidade de autoeducar-se constantemente, promovendo a autoestima, a curiosidade e a vontade de aprender.

Volta um pouco lá pra sua infância. Sempre que acreditaram em você e te disseram que você era capaz de algo, não era muito mais fácil de acertar? A insegurança dos seus pais com relação ao que você conseguiria ou não fazer, muitas vezes não te travava?
Você com certeza deve ter se sentido o máximo quando finalmente te deixaram usar uma faca de verdade ou um copo de vidro, por exemplo, já que sempre te diziam ser perigoso usar, sem ao menos terem te deixado experimentar ou te mostrado como segurar de forma segura.
As crianças são capazes de muito mais do que imaginamos, basta darmos uma chance a elas de nos provarem isso. Montessori chamava essa primeira infância de Mente Absorvente, pois é a fase em que a criança vê, imita e absorve tudo que é mostrado à ela – ela sabe muito mais sobre como as coisas funcionam do que você pensa, pode acreditar.

Portanto, através da criação desse Ambiente Preparado, de extrema importância para promover a Autoeducação, um bom projeto pode contribuir com a aplicação desses princípios em qualquer ambiente. Montessori fala sobre a importância que o ambiente da criança tem para o desenvolvimento dela – que deve ser do seu tamanho e possa ter suas funções assimiladas de forma intuitiva (sem muita informação, cores berrantes ou formas estranhas), e também que ofereça objetos interessantes que despertem sua curiosidade e auxiliem no seu desenvolvimento. Preparar o ambiente significa criar um espaço livre e estimulante à independência, onde tudo é organizado, oferecido e preparado para que a criança possa explorar. Sendo considerada pelos adultos como um ser capaz, a criança alcança seu equilíbrio interior e torna-se mais concentrada, organizada e calma, crescendo mais feliz, generosa, esforçada, com mais iniciativa, voz, independência e empatia.

Hoje em dia, esses quartinhos montessorianos vem “entrando na moda” devido à uma movimentação e uma cobrança maior pela humanização, inclusão e estímulo à independência infantil – um reflexo da nova geração de pais e cuidadores que têm buscado métodos educacionais e de criação baseados principalmente na Disciplina Positiva e Criação com Apego. Percebendo que na nossa sociedade atual existe uma abertura maior para a livre expressão, eles também têm procurado profissionais que acreditem na arquitetura e no design afetivo, e que sejam capazes de ajudar, através de um projeto inclusivo, a formar indivíduos que consigam se comunicar de forma mais democrática, criativa e dinâmica, repensando seu papel e influência na educação dessas crianças. Afinal, todos nós, como sociedade, causamos um impacto na educação dessas crianças.

Para além do Ambiente Preparado, existe a também cada vez mais famosa, Disciplina Positiva, uma ferramenta que inclui habilidades de aplicação prática com o objetivo de ajudar a criança a evitar comportamentos repreensíveis e ensiná-la sobre autodisciplina, responsabilidade, cooperação e capacidade de resolver problemas. Nesse caso, pode-se afirmar que o projeto de interiores da sua casa pode ser utilizado como uma ferramenta de estímulo, pois se o ambiente onde essa criança vive oferece características que promovem a sua independência e causam um impacto visual positivo nelas, isso pode motivá-las a melhorar seu comportamento, visto que a falta de incentivo, de acordo com a Disciplina Positiva e a própria Maria Montessori, é uma das principais causas de comportamentos inadequados.

A maneira como a casa inclui a criança como sua usuária ativa pode, portanto, ajudar ou atrapalhar essas relações pessoais, visto que em um espaço preparado e projetado para facilitá-las, pode-se conseguir resultados mais satisfatórios, contribuindo com seus processos cognitivos, já que o desenvolvimento na infância acontece conforme a criança se envolve de forma ativa com o ambiente físico e social, e através da maneira como ela o compreende e o interpreta.

Mas aí você deve tá se perguntando: Como se projeta uma casa inclusiva para as crianças? Significa que eu vou ter que reformar tudo?

Não é bem assim. Na verdade, é bem mais simples do que você imagina – e na maioria das vezes não precisa quebrar nada nem fazer sujeira com reforma. Basta reorganizar, ressignificar e adicionar alguns poucos objetos e detalhes pra conseguir um resultado incrível.

O ambiente voltado para a criança (Ambiente Preparado) não deve se limitar ao quartinho montessoriano, pois a ideia é que a criança se sinta pertencente da própria casa, que deve possibilitá-la fazer tudo sozinha.
Pra conseguir isso, você pode, por exemplo, disponibilizar a ultima gaveta da cozinha para os pratos, talheres e copos dela, assim ela consegue colocar a mesa sozinha. Ou até investir numa torre montessoriana (ou um banquinho mesmo) para que ela possa escovar os dentes ou ajudar você a lavar louça na pia ou bater ovos pra um omelete. Também acho super importante que a criança tenha uma mesa ou escrivaninha da sua altura com objetos de uso comum ao seu alcance que ela seja capaz de manusear sem ajuda. Quem sabe, até, você consegue colocar um gancho mais baixo ao lado da porta de entrada (para o casaco ou mochila) e uma sapateira que a criança consiga sentar-se e colocar seus sapatos sozinha antes de sair? Nada disso parece tão complicado, não é mesmo?

Para Montessori, a simplicidade e o minimalismo são regra. Deve-se proporcionar um ambiente em que a criança possa explorar e brincar livremente, para que ela possa se sentir competente e independente, consciente de sua rotina e lugar. Tornar o ambiente adaptado para as crianças pode, portanto, trazer diversos benefícios para o seu desenvolvimento, tanto psicológico quanto físico-motor, além de auxiliá-las na busca pela independência e autonomia e no amadurecimento pessoal, autoestima e percepção corporal. Tudo que a Apego Design acredita e difunde!

Uma simples consultoria pode te ajudar a visualizar a sua casa sob a ótica das crianças e te possibilitar transformar o ambiente que você compartilha com a sua família em um lar mais inclusivo, que atende as necessidades de todos (de verdade), com afeto, respeito e amor 🙂


Se você gostou de ler um pouco sobre Montessori e Disciplina Positiva e quer saber mais ainda sobre o assunto (recomendo!), seguem algumas dicas de livros maravilhosos:

Disciplina Positiva – Jane Nelsen
O Cérebro da Criança – Tina Payne Bryson
Método Montessori – Paula Polk Lillard

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